Psicologia

Os problemas de fertilidade podem dificultar a realização do sonho da família grande mesmo para os casais que já são pais

Mesa do café da manhã posta, todos os lugares preenchidos. Esse é o sonho de muita gente que deseja ter uma família grande. Mas nem sempre ele é possível. Os problemas de fertilidade podem dificultar a realização desse desejo mesmo para os casais que já são pais. O impacto emocional de não conseguir engravidar novamente pode ser tão forte quanto para os casais sem filhos. ( Terra)

Infertilidade secundária é o nome dado ao problema enfrentado pelo casal que já teve uma gestação anterior e está tentando ter uma nova gravidez há pelo menos um ano. Por terem passado por uma experiência positiva antes, engravidar parece ser fácil para esse casal. O insucesso pode ser, então, uma surpresa desagradável. “O casal se depara com o resultado negativo e isso muitas vezes gera sentimentos de frustração, angústia e muita ansiedade”, conta Patrícia Simões Santanna, psicóloga da Embryolife, instituto de medicina reprodutiva de São José dos Campos (SP).

Os problemas de fertilidade podem provocar um abalo na estrutura emocional do casal. “A infertilidade é uma situação inesperada em que, primeiro, ocorre a negação, que tende a ser um sofrimento silencioso. Alguns casais que passaram por isso disseram experimentar um sentimento de vazio, de fracasso, culpa e inferioridade”, afirma Patrícia.

Essa situação pode afetar a sexualidade e o relacionamento do casal, além da convivência social e familiar. “Os pensamentos negativos provocam emoções de intenso sofrimento, que por sua vez levam a comportamentos disfuncionais, como isolamento, esquiva ou fuga”, diz a psicóloga.

A frustração e ansiedade dos pais pode, inclusive, afetar o filho que eles já têm. “Não adianta fingir que tudo vai bem quando a criança observa que nem tudo está tão bem assim. Mas também não é preciso explicar todos os detalhes do que está ocorrendo”, orienta Patrícia. O casal deve esclarecer ao filho que ele não é o motivo do sofrimento e explicar que isso é algo passageiro.

Um problema a mais para os casais que passam por essa situação já tendo filhos é que a dor deles pode ser menosprezada pelos outros. “Acredito que dor é dor. Não existe dor maior ou menor. Independentemente do que a gerou, cada um sofrerá e expressará a dor de acordo com a sua experiência de vida e do seu jeito de interpretar os fatos”, afirma Patrícia.

Atendimento multidisciplinar
Os casais com infertilidade secundária são comuns em clínicas de reprodução assistida, mas eles costumam demorar mais para aceitar a necessidade de ajuda. “Sabemos que esse casal demora bem mais para procurar tratamento, acreditando que com o tempo o problema se resolverá sozinho, o que pode ser muito prejudicial”, explica.

O casal deve ser alertado das opções disponíveis, como buscar ajuda psicológica para lidar com a situação, partir para uma adoção ou para um procedimento de reprodução assistida. “Os casos em que o casal já tem filhos são considerados de melhor prognósticos”, comenta a psicóloga.

Segundo ela, é necessário que o casal receba um atendimento multidisciplinar, que trate o problema, mas que também entenda do abalo emocional de quem passa por isso. “Um casal é único em seus sentimentos, com uma história de vida e projetos que devem ser tratados de modo humanizado, integrado e individualizado”, diz.

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15 de setembro de 2015

Casais com filhos também sofrem com problemas de fertilidade

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