Emagrecimento, O grande desafio do equilíbrio!

Emagrecimento, O grande desafio do equilíbrio!

Subo na balança e nego o que acusa o ponteiro, olho-me no espelho e me assusto com minha silhueta avantajada! A calça jeans – antes, maravilhosamente justa – simplesmente não me serve mais! E o pior de tudo: não consigo fechar a boca! Já tentei a dieta da Lua, a dieta do Sol, a dieta do Sertão, a dos Pontos… mas eu é que entrego os pontos, nada parece funcionar contra os meus quilos a mais! Vou passar três dias à base d’água e à luz solar para ver se emagreço.

Calma! Se você poderia ser a locutora deste discurso, não se desespere. Você não é a única a enfrentar a batalha diária contra a balança e a buscar o equilíbrio entre a oferta de guloseimas deliciosas e a real necessidade calórica e nutritiva de nosso organismo.

Infelizmente, devemos reconhecer um triste fato: boa parte das mulheres não consegue manter um peso estável e saudável mesmo com todas as privações auto-infligidas e dietas milagrosas, milagrosamente disseminadas por aí. Muitas de nós têm dupla jornada, trabalhando duramente dentro e fora de casa – mais do que a maioria dos homens consiga sequer imaginar. Esse excesso de atividade complica ainda mais o nosso processo de emagrecimento e nos propõe um desafio: encontrar uma maneira equilibrada de permanecermos saudáveis e com uma aparência que nos agrade, em um ritmo de vida cada vez mais intenso.

O primeiro passo para se conseguir emagrecer é avaliar a real necessidade do emagrecimento. “A partir do momento em que o excesso de peso passa a incomodar a paciente, não necessariamente a comprometer sua saúde, mas a interferir no bem-estar e na auto-estima de quem está acima do peso, é hora de se reavaliar os hábitos alimentares e procurar um profissional que oriente o paciente a um processo saudável de emagrecimento”, diz a endocrinologista Ninon Lorena Branco.

A relação do homem com a comida evoluiu e se modificou ao longo da história. No aspecto psicológico, comer é um ato social, no qual o ser humano deveria cumprir um verdadeiro ritual em respeito à alimentação e ao seu organismo, devido à importância vital dos benefícios causados por uma nutrição correta à saúde humana. Porém, o ritmo de vida que levamos atualmente nem sempre permite que prestemos a atenção devida ao que levamos à boca. E o pior, muitas vezes descontamos nossa ansiedade e nossas carências na ingestão desnecessária de alimentos nutricionalmente incorretos!

“Atualmente, há uma priorização da forma em detrimento da valorização da saúde.” afirma Ninon, garantindo que dietas milagrosas não existem e que o principal desafio de quem deseja emagrecer é aceitar o processo saudável de emagrecimento. “As mulheres que desejam realmente emagrecer devem buscar o equilíbrio emocional e alimentar, e não uma beleza estereotipada, tão difundida pelos meios de comunicação”assegura a endocrinologista.

A maneira mais eficiente de controlar o peso é aprender a praticar hábitos saudáveis de alimentação e, principalmente, de vida. Missão impossível? Nem tanto! Uma tarefa árdua que exige disciplina, moderação e, sobretudo, força de vontade. “Emagrecer não é difícil, o difícil é permanecer magro, o processo de emagrecimento não acaba quando se emagrece e sim quando a pessoa incorpora os novos hábitos alimentares no seu cotidiano, mudando não só o corpo, mas também a mente em relação à comida.” afirma a psicóloga Patrícia Simões Santanna, que trabalha há mais de 10 anos com transtornos alimentares e também foi psicóloga do reality show “O Grande Perdedor”, exibido pelo SBT no ano passado.

Ambas as profissionais afirmam que a busca pelo imediatismo no emagrecimento leva à ansiedade e, conseqüentemente, à compulsão alimentar e ao aumento de peso. De acordo com a psicóloga Patrícia, há um contra-sensono cotidianodas pessoas: “Se é tão bom comer, por que comemos tão rápido? Levam-se cerca de 20 minutos para que o organismo atinja a sensação de saciedade. Se você estender ao máximo o tempo de cada refeição, comerá menos, pois se sentirá satisfeito e não desconfortável. Se você realmente gosta de comer, então estenda ao máximo este prazer.” sugere Patrícia Simões Santanna.

Uma das opções mais procuradas ultimamente para combater o excesso de peso é o tratamento ortomolecular, que busca o equilíbrio do organismo por meio da absorção certa (orto=correto) das substâncias necessitadas pelo corpo, como vitaminas e minerais para o seu funcionamento correto. “Não se trata apenas de uma alimentação balanceada. É preciso também complementá-la com os minerais e as vitaminas que estão fazendo falta à pessoa”, explica o médico ortomolecular Dr. Marcos Natividade.

Na dieta ortomolecular, como em qualquer outra, é preciso disciplina e dedicação. Segundo o médico, os resultados são muito bons, mas também dependem muito da dedicação do paciente. Não se trata de um tratamento milagroso e a perda de peso acontece graças à reeducação alimentar e ao equilíbrio nutricional promovido pelos suplementos.

“Esse equilíbrio soluciona problemas como estresse, retenção de líquido, TPM e depressão, que muitas vezes são a causa do excesso de peso. A reposição de nutrientes permitirá ao paciente comer o que quiser; porém, sem compulsão”, completa Dr. Marcos Natividade. Os benefícios do tratamento ortomolecular também colaboram para minimizar celulites e evitar o envelhecimento precoce.

Outra questão fundamental no processo do emagrecimento é avaliar a relação da mulher com a comida e com seu corpo. “Muitas vezes, a gordura serve como proteção a um conflito enfrentado pela paciente. Portanto, é preciso descobrir este conflito e suas causas e ajudar àquele que pretende emagrecer a conseguir uma permissão interna para ser magro” ressalta a psicóloga Patrícia Santanna.

A endocrinologista Ninon Branco conclui que para emagrecer é preciso, principalmente, de tempo, paciência, investimento e disciplina. E a nutricionista Cínthia Perine, responsável pelo programa de emagrecimento do programa “O Grande Perdedor”, define alimentação saudável como a qualidade da matéria-prima que se fornece ao corpo humano. “Não é só a quantidade calórica dos alimentos o que determina uma boa nutrição. A idéia é a gente considerar que uma célula do corpo utiliza 45 nutrientes e que o organismo renova 50 milhões de células ao dia, portanto, precisamos de boa matéria-prima para que tudo funcione bem. Dessa forma, o bem-estar físico, emocional e psicológico depende do tipo de nutrição que se tem.”

Ainda de acordo com ela, a boa nutrição envolve qualidade de alimentação, em horários corretos, e na quantidade certa; conforme a necessidade e o histórico de cada um; priorizando sempre as frutas e as saladas. “Melhore o hábito alimentar pensando nos resultados daqui a 15 ou 20 anos, não apenas no imediatismo de emagrecer. E pense que se você investir hoje em uma boa qualidade alimentar, não gastará amanhã com medicamentos.” aconselha Cínthia.

Outro bom conselho sobre emagrecimento é dado pela escritora Mireille Guiliano em seu livro “As Mulheres Francesas não Engordam” (Ed. Campus). Segundo a autora, as francesas passam a maior parte de seu tempo falando sobre o que gostam: sentimentos, famílias, interesses, filosofia, política, cultura e, comida (mas jamais sobre dietas) – acredito que isso sirva também para o setor dos relacionamentos! Mireille afirma ainda que um dos principais motivos de as francesas não engordarem é o fato de comerem com a cabeça e não saírem da mesa sentindo-se empanturradas ou culpadas.

Enfim, aprender que menos pode ser mais e conseguir comer de tudo com moderação é o grande segredo e o principal desafio de quem deseja o equilíbrio na balança!

Dicas da Nutricionista Cínthia Perine para nos livrarmos dos quilinhos a mais:

1. Quanto mais rápido comemos, menor é a capacidade do corpo em utilizar os nutrientes presentes nos alimentos. Assim, os desequilíbrios nutricionais vão se instalando e ocasionando aumento da ansiedade, compulsão… Ao mastigarmos, enviamos mensagens de saciedade ao cérebro, importantes para controlarmos o que estamos ingerindo. Dica prática: inicie as grandes refeições (almoço ou jantar) pelo prato frio, ou seja, um bom prato de salada caprichada (lembrando que salada são apenas folhas e vegetais CRUS). Tempero: pouco sal, limão ou vinagre de maçã e azeite extra virgem de oliva se possível. O segundo prato é o prato quente.

2. Elimine os líquidos presentes às refeições mesmo que seja água! Apenas tome líquidos uma hora e meia a 2 horas após o termino da refeição (almoço e jantar).

3. Coma uma fruta a cada 3 horas desde o momento em que seu dia começar. Inclusive troque os doces por frutas frescas ou mesmo salada de frutas. Procure levar frutas variadas para seu ambiente de trabalho. Para quem se distrai com o trabalho e esquece de comê-las, vale programar um despertador para se lembrar.

4. Fracione as refeições! Em três principais: café da manhã, almoço e jantar; e pequenos lanches entre elas. No primeiro lanche da tarde, pode-se acrescentar uma barra de cereal juntamente com uma fruta;

5. Aumente a ingestão de água mineral sem gás! Tomar cerca de 2 litros em pequenos goles ao longo do dia todo ajuda a limpar e hidratar o organismo;

6. Não consuma açúcar por um período de tempo determinado, nem no cafezinho, quanto mais o ingerimos, maior é nossa vontade de consumi-lo e mais difícil se torna o controle. Procure trocar o açúcar por adoçantes orgânicos, como “stevia”.

7. Evite consumir excesso de farinha de trigo refinada. Muitas vezes achamos que arroz e feijão “engordam” e trocamos por um prato de macarrão que não apresenta fibra suficiente e tem digestão rápida, além de induzir rapidamente a liberação de um hormônio chamado insulina que desencadeia o aumento da gordura (principalmente abdominal).

8. Jamais pense que se comeu algo errado a dieta foi por água abaixo, sempre recomece a dieta do ponto em que parou.

9. Evite frituras, preparos com molhos e creme de leite.

10. Emagrecer não é apenas uma questão de estética, mas também, e principalmente, uma questão de saúde!

Dicas da Psicóloga Patrícia Simões Santanna para nos livrarmos dos quilinhos a mais:

1- O fundamental é diferenciar a fome verdadeira (que é fisiológica) da vontade de comer (fome psicológica);

2- As mães se preocupam muito em educar os filhos sobre a questão da etiqueta à mesa (como não comer de boca aberta, não falar de boca cheia, etc.) também ensinam a criança que é “pecado” deixar comida no prato, quando na verdade, deveriam ensiná-las desde cedo a colocar pouca comida no prato, caso queira mais basta servir-se novamente; comer bem devagar para sentir o gosto da comida que está na boca e não no ato de engolir; descansar os talheres entre cada garfada e principalmente perceberem e respeitarem os sinais do organismo se sinto que estou satisfeita e não desconfortavelmente cheia paro imediatamente de comer;

3- Não confunda sensação de saciedade com desconforto;

4- Nunca coma lendo, falando ao telefone ou vendo TV;

5- Mastigue bastante a comida porque o estômago não tem dente!

6- Procure racionalizar a vontade de comer (ouvir o corpo e controlar a mente). Será que é tão importante assim comer um doce? Pois, seguramente, a vontade passa!

7 – Não adianta comer e se sentir culpada! Descubra outras formas de prazer que não a comida.

8 – Pratique exercícios físicos periodicamente (além do gasto calórico, eles também proporcionam sensação de bem-estar, devido à liberação de endorfina)!

9- Procure ajuda de profissionais multidisciplinares (como nutricionista, endocrinologista, psicólogos…), pois o excesso de peso envolve múltiplos fatores!

10 – Nosso corpo nos emite sinais o tempo todo, procure “ouvi-lo”!

(Antes e depois de Andréia Dutra, vencedora do programa “O Grande Perdedor”, que emagreceu cerca de 30 kg)

“Abri espaço para uma nova Andréia! Quem pretende emagrecer precisa ser firme e consciente da necessidade de se adquirir novos hábitos!”